domingo, 27 de dezembro de 2009

E o que deixa? E o que leva?

Eu tentei encontrar alguma estória que camuflasse o motivo real desta prosa assim tão necessária. Fez-se distante de mim o que parecia ser tão fácil e palpável: a transperência de minahs palavras. Tentei disfarçar meus sentimentos, mas mesmo assim externá-los, não gostaria que parecessem tão óbvios, claros e escancarados.

Percebo agora que não há necessidade de encobrir alguma razão que me traga até aqui para escrever minhas lamúrias, satisfações, desejos e vazios. Meus pontos são mesmos vulgares como já vinha num título de texto antigo. Escrevo com cores mesmo que quase ninguém perceba, e nem faço questão de mostrá-las... Só os que prestam atenção merecem notá-las.

Rolou uma despedida, que como qualquer outra foi desagradável. Também foi inevitável, mas com certeza indispensável. Uma totalidade sem um membro não é mais totalidade, sempre estará incompleto de alguma forma. Criou-se um buraquinho no coração da galera agora...

Queria só usar esses meios tecnológicos (blogs e tal) para eternizar esse momento e um dia ler com nostalgia o que hoje escrevo com grande pesar.

Quer que esta postagem fique datada. E estagnada.

sábado, 26 de dezembro de 2009

11:11

Quando acordou obedeceu ao seu impulso diário, ainda com os olhos abrindo e o corpo lento, esticou o braço com preguiça, aproveitando para se esticar, e pegou o celular para olhar as horas. Pela terceira manhã seguida acordara exatamente às 11:11.

Riu de si mesma por ter deixado passar por sua cabeça algo tão absurdo como a ideia de haver algum mistério naquele "sinal". Pensou em misticismo, em avisos do além, e outras crendices pagãs que haviam se tornado moda nos últimos tempos.

Haveria algum recado a ser enviado a ela? Logo a ela! Não era possível, era jovem demais e não correspondia nem às suas expectativas e planos mais simples. Queria apenas estar tranquila consigo mesma, mas essa coincidência numerológica não permitia que a paz habitasse plena em seu ser.

Um pingo de desespero e medo a assombrava quando estava se aproximando o sono. Temia que alguma responsabilidade fosse dada a ela. Não se sentia confiável o suficiente para "salvar a humanidade", por menor que fosse o ato que pensou ter sido planejado para ela realizar.

Ao mesmo tempo uma espécie de anjinho a perseguia e trazia sensações boas, pois a convencia por instantes sublimes de que ser escolhida é sinônimo de ser capacitada. Nesses momentos de euforia interna contida pela razão e pela dúvida, uma luz brilhava nos seus olhos e seu coração ficava leve como algodão.

Com o tempo não quis mais olhar a hora quando acordava, não quis mais reparar nas datas e outros números com os quais esbarrava por aí. Teve vontade de fugir daquele mistério, ou seja lá o que fosse... Estava realmente incomodada. Queria se sentir livre de novo.

Livre e vazia. Vazia sim, sem desejos ou ambições - mesmo que desconhecidas.
Será que um dia descobrirá do que se tratavam tais números? Será que não se tratavam de nada? Será que o poder de sua mente - no qual depositava quase toda sua pouca fé - estava manipulando seu sono para que mantesse aquela interrogação em sua mente e a ocupasse de alguma forma? Estava querendo se sentir especial e desistiu porque é covarde? Será que é verdade mesmo? Será que existe resposta para alguma dessas perguntas? Será que há mesmo perguntas? Se não há perguntas, não há respostas. Será?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Palavras e estrelas

Já não escrevo mais buscando as palavras certas. Acho que

não escrevo mais buscando nada...

Deixo simplesmente as palavras saírem de mim com a força
que elas já possuem, e é algo mais forte que eu – em todos os sentidos.

Já não as domino como antes achara possível fazer. Não é
mais tão fácil para mim selecioná-las para que se encaixem de boa maneira no
contexto tão pré-programado por mim.

Pobre de mim, que agora me vejo fraca perante minhas
parceiras dos momentos silenciosos, frios, escuros e solitários (nem tanto
assim).

Deitei, certa vez, sob a lua e o céu estrelado. Culpo-me
até hoje por não ter registrado tal momento com uma fotografia ou vídeo... Pude
notar que as estrelas são como as palavras: estão quase todas ao alcance dos
nossos olhos, e assim como as palavras podemos escolher algumas para apontar,
contar, falar, comentar... Mas somos tão pequenos e impotentes diante delas...


Continua...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Aquarela

Eu quero pintar
Cada parte tua com cores diferentes
Parecer uma aquarela
E quando eu te usar,
Poderei escolher a cor que mais me agrada
Adaptar tuas mudanças coloridas
Às minhas variações de tom, sempre da mesma cor.

Recolher teus cinzas
Ressaltar teus dourados
Enriquecer o vermelho, que é precioso
É no vermelho que quero estar marcada
Por que simboliza o amor.

Você como minha tela
Puro, e livre para que eu possa
Trabalhar luz e sombra
E completar a beleza que já há
No princípio oco
Um vazio tão frio, dá dor.

Consciente da arte que pratico
No teu incompleto
E ansioso coração
Vou pintando com cuidado
Dando graça e vida
Às várias faces do amor.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tem valor

Sabe aqueles momentos em que se pára e compara o presente estado de ser com o que já se passou? Decidiu então sentar e com calma reler tudo que havia escrito até então. Observou cada pensamento e percebeu que já não era mais a mesma pessoa, pensou: "Não é possível que eu tenha escrito isso! Porque eu pensava assim?".
Silenciou por instantes, o necessário para que entendesse algo que já havia ouvido de pessoas mais experientes que ela. Foi preciso passar por tal choque para aprender que aquilo tudo que ela era não deve ser esquecido, não deve ser desprezado... Simplismente deve ser relembrado, para que não repita os erros de outrora.
Notou que aquela rebeldia quase que sem causa virou motivo de riso. Ela não estava rindo de si mesma, estava rindo de uma garota comum. Sim, comum! Como todas as outras tentou parecer diferente, tentou chamar atenção - nem sempre das melhores maneiras, é claro.
Como pode estar tão diferente? Será mesmo que mudou tanto assim ou mente para si mesma por sentir vergonha do que foi/é/será? Pobrezinha, disso ela nunca saberá. Manter-se-á em busca da resposta.
Como poderia se livrar tão rapidamente daquelas idéias super radicais, revoltadas... E a impaciência de não poder se perdoar? A exigência doentia por perfeição. Um dia entenderá que já é perfeita assim, como está. Não importa se esse "está" é de agora, foi de ontem ou será sabe-se lá quando...
Viu todo aquele ímpeto juvenil estragar tantas coisas, mas também viu construir amores, sabores, besteiras que jamais esquecerá. Fazem parte dela, nunca perderá isso em seus pensamentos, em suas fotos, em seus textos...

Tem valor
A vida dela tem valor
O registro da vida dela tem valor
Mesmo que já se tenha passado, tem valor
E ela vai guardá-la
com amor.


Ao som de: "Quanto vale a vida?" - Engenheiros do Hawaii

sábado, 12 de dezembro de 2009

Non rapid eye moviment

Quando sonhas e tens reações de proteger-se contra uma avalanche corres, rolas, gritas, levantas. Pare e deixe-se levar.
Após instantes de tortura, em silêncio se levanta e põe-se a limpar as feridas dolorosas que ardem e queimam-te como fogo.
Não insistes mais também não abandonas. Não se importas com a dor, segues caminhando, olhando para a brancura pluralizada do horizonte.

Acordas, logo preparas o café e o bebes fervendo e amargando em demasia.
Sai! Vai agir a tua vida!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Eu a vi na chuva


Eu a vejo passar
do outro lado da rua
com medo da chuva.

Eu daqui fico olhando
questionando meu tempo
que nunca é o dela.

A beleza que vem no olhar
na verdade é outro amanhã
aquele que não virá depois de hoje.

Meu pedaço, seu inteiro
dei-te quando encontrei
perdido no seu caminho.

Ah! onde te vi, não me notaste
confortei-me em quietar
na tão furiosa chuva.

Trouxe de volta a brisa fria
com gotas geladas na minha pele
pele quente quanto meu coração.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mágico !


Existem coisas que a razão não pode explicar, futebol é uma delas.
No futebol, o impossível não existe. No futebol o amor não tem limites.
O futebol é uma grande fonte de inspiração.
O futebol machuca o coração, o futebol cativa o coração.

O que é um time com 98% de chance de rebaixamento?
O que é um time precisando ganhar TODOS os jogos que restam até o fim do campeonato?
Qualquer um diria que um time nessas condições não disputaria uma final de copa continental...
Muito menos que disputaria dignamente uma final de copa Sul-americana.

Depois de emocionantes partidas na fase semi-final, jogando sob pedradas e pancadas, virando um jogo aos 49' do segundo tempo... O que esperar do gigante Fluminense Football Club?

Duas finais, um mesmo rival. O pesadelo de todos os tricolores, a Liga Desportiva Universitária - LDU.
Péssimas lembranças vem à mente do torcedor.
O primeiro jogo começou com pinta de goleada, e foi... mas não para nós... e sim para a temida LDU.
5 a 1 seria um resultado reversível? Para a grande massa tricolor isso era o que menos importava. Essa é a hora que o time precisa sentir a força de sua torcida, a potência do grito e a fé !

A torcida preparou uma festa épica, digna de uma fase marcante da história do Fluminense. Uma fase na qual aconteceu uma recuperação surpreendente, uma sequência de jogos memoráveis. O Fluminense não se intimidou nem se deixou abater pelo mau resultado fora de casa (vindo com todas as dificuldades inaceitáveis de se jogar na altitude de Quito) e partiu pra cima dos visitantes com todo gás enviado de maneira sobrenatural pela magestosa torcida tricolor.

Diguinho, que foi sem dúvida o melhor jogador da partida, abriu o placar para o Fluminense e parecia se multiplicar em campo. Depois foi a vez de Fred, o mais novo ídolo das Laranjeiras, marcar. E, mais uma vez com o que restava de gana de vencer, Gum acrescenta o terceiro gol do Fluzão no marcador. A torcida tem fé, reza, invoca João de Deus com o grito mais tradicional ouvido no Maracanã: "A benção, João de Deus".

O resultado de 3 a 0 não foi suficiente para o Fluminense, que lutou até o último segundo, e pecou pelo excesso de vontade de vencer... o que culminou na expulsão do atacante Fred quando ainda restava um pouco mais de 15 minutos para serem jogados.

Não foi preciso ser campeão. O que se leva de uma partida como essa é muito mais do que título ou o vice. O futebol nos proporciona sensações incomparáveis, que nem o mais sábio e hábil apreciador pode descrever. Fluminense é isso. A partida foi incrível e jamais sairá da mente dos amantes do Fluminense e das pessoas apaixonadas por futebol. Lembraremos sempre do show da torcida, que programou cada detalhe da festa impecável no Maracanã. Lembraremos do futebol demonstrado pelo time, que lutou, que batalhou até o último segundo.

"O Fluminense independe de conquistas, o Fluminense está entre o ser e o devir, o Fluminense é o ser. É Fluminense e basta".

Sidney Garambone, jornalista.

"Ser tricolor não é uma questão de gosto ou opção, mas um acontecimento de fundo metafísico, um arranjo cósmico ao qual não se pode - e nem se deseja - fugir."

Nelson Rodrigues, jornalista e dramaturgo.