A gente se cria, a gente se faz ser o que quer parecer ser.
Mas não exatamente, afinal, nada é exato mesmo.
Quando a gente descobre o que realmente é viver, a gente deseja viver para sempre.
____________
Ser livre para ser o que escolhi ser
Ser homem, ser mulher
Ser luz, ser sombra
Ser frio, ser quente
Ser sol, ser lua
Ser amor, ser ódio
Ser cérebro, ser coração
Ser fogo, ser água
Ser branco, ser preto
Ser artista, ser matemático
Ser razão, ser insensatez
Ser paixão, ser apatia
Ser certeza, ser talvez
Ser herói, ser vilão
Ser um, ser um milhão
Ser eu, ser você
Ser de um, ser de ninguém, ser de todos
Ser alegre, ser triste
Ser guerra, ser paz
Ser tudo, ser nada
Ser, não ser.
Ou ser a linha tênue entre os extremos. (nem é tão paradoxal assim)
Afinal de contas, ser livre é isso:
Quem é original, quem é autêntico sabe que é o que quer ser e sobretudo sabe que poderia não ser o que é, ou que podia ser mais de um.
Sabe-se mesmo que ninguém (indeterminadamente) é nada, e se nada não é, ninguém não é. Somos todos um monte de nada.
O que garante ESTAR como quisermos. Isso é que é LIBERDADE.
domingo, 30 de agosto de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Abstrato construtor de aflições
Já é possível ouvir o ruído do tempo passando e com ele estão as angústias das promessas não cumpridas, das atividades mal exercidas em que havia depositado as poucas fichas que restavam.
E agora? O que foi não é mais o que era antigamente e o futuro será complemento do presente.
Há tempos criou-se planos e cultivou os sem cuidado, nunca serão colhidos...
Perdeu-se a esperança na confusão dos dias, na multidão das avenidas que as horas unidas tragicamente transformam em dias.
O que já não tem mais valor foi jóia preciosa... seu brilho desgastou-se e o que resta é a caveira carregada de lembranças que a memória não suporta recordar, mas lá estão.
Resgatar, retroceder, voltar, arrepender. Porque mudar? Aprender.
Quando decidir não mais projetar a vida no indecifrável futuro e romper com o passado merecedor de esquecimentos - o que não significa que este inteiro seja -, dará a solução pros soluços que intercalam o choro feito de lágrimas que enferrujam a paz que ainda há no coração.
Para se num tempo cessares a correnteza dos rios cuja's nascentes moram em seus olhares.
E agora? O que foi não é mais o que era antigamente e o futuro será complemento do presente.
Há tempos criou-se planos e cultivou os sem cuidado, nunca serão colhidos...
Perdeu-se a esperança na confusão dos dias, na multidão das avenidas que as horas unidas tragicamente transformam em dias.
O que já não tem mais valor foi jóia preciosa... seu brilho desgastou-se e o que resta é a caveira carregada de lembranças que a memória não suporta recordar, mas lá estão.
Resgatar, retroceder, voltar, arrepender. Porque mudar? Aprender.
Quando decidir não mais projetar a vida no indecifrável futuro e romper com o passado merecedor de esquecimentos - o que não significa que este inteiro seja -, dará a solução pros soluços que intercalam o choro feito de lágrimas que enferrujam a paz que ainda há no coração.
Para se num tempo cessares a correnteza dos rios cuja's nascentes moram em seus olhares.
sábado, 22 de agosto de 2009
Reciclagem
Tire as suas lágrimas do meu caminho
Porque o meu sorriso quer passar
Não inunde a avenida do destino
Nem envergonhe minha alegria
Ostentando o estandarte do pesar
Ponha para fora os seus espinhos
Mas os exponha bem longe da minha flor
O que não come o passarinho
Vira restos aproveitados pelo amor
Porque o meu sorriso quer passar
Não inunde a avenida do destino
Nem envergonhe minha alegria
Ostentando o estandarte do pesar
Ponha para fora os seus espinhos
Mas os exponha bem longe da minha flor
O que não come o passarinho
Vira restos aproveitados pelo amor
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Vocábulo, termo... Palavra.
Ah, as palavras...
Aquelas palavras que ficam vagando na cabeça e não tem relação concreta com nada que já se tenha visto ou tocado.
E aquelas? Aquelas que fisgam na hora o significado e machucam quem as ouve.
Palavras não são formadas só por letras, sílabas, fonemas...
Palavras carregam fardos, palavras são muitas vezes chaves que abrem cadeados.
Ter cuidado ao usar certas palavras é fundamental para quem ainda tem medo de se complicar com estas poderosíssimas armas.
Escolher as palavras a serem ditas ou escritas deve ser feito tal como se escolhe um nome para dar a um filho. A escolha certa das palavras dirigidas evita males gravíssimos, enquanto, o engano que há em lançá-las ao vento pode causar danos irreparáveis.
Ah, as palavras...
Uma palavra mata, uma palavra não morre.
Quantas das palavras que se ouve se repete? Incontáveis.
Quais as palavras que se faz questão de esquecer? Impronunciáveis.
A dor da palavra que precede o silêncio é angustiante, e neste silêncio que consome as palavras ditas há mais palavras que se pode imaginar em sons ou em escritos.
Palavras limpam, palavras sujam.
Quantas vezes já usaram palavras para estraçalhar seu coração?
Quantas vezes já usaram palavras para colher, juntar e colar os cacos?
Ah, as palavras..
Entre tantas sempre existem as que não saem de forma alguma, e sufocam porque estão presas... E prendem.
Palavras, soletradas parecem menos do que são... Analizadas ficam tão frias, classificáveis, tão sintáticas, tão morfológicas.
pê a éle a vê érre a ésse.
Aquelas palavras que ficam vagando na cabeça e não tem relação concreta com nada que já se tenha visto ou tocado.
E aquelas? Aquelas que fisgam na hora o significado e machucam quem as ouve.
Palavras não são formadas só por letras, sílabas, fonemas...
Palavras carregam fardos, palavras são muitas vezes chaves que abrem cadeados.
Ter cuidado ao usar certas palavras é fundamental para quem ainda tem medo de se complicar com estas poderosíssimas armas.
Escolher as palavras a serem ditas ou escritas deve ser feito tal como se escolhe um nome para dar a um filho. A escolha certa das palavras dirigidas evita males gravíssimos, enquanto, o engano que há em lançá-las ao vento pode causar danos irreparáveis.
Ah, as palavras...
Uma palavra mata, uma palavra não morre.
Quantas das palavras que se ouve se repete? Incontáveis.
Quais as palavras que se faz questão de esquecer? Impronunciáveis.
A dor da palavra que precede o silêncio é angustiante, e neste silêncio que consome as palavras ditas há mais palavras que se pode imaginar em sons ou em escritos.
Palavras limpam, palavras sujam.
Quantas vezes já usaram palavras para estraçalhar seu coração?
Quantas vezes já usaram palavras para colher, juntar e colar os cacos?
Ah, as palavras..
Entre tantas sempre existem as que não saem de forma alguma, e sufocam porque estão presas... E prendem.
Palavras, soletradas parecem menos do que são... Analizadas ficam tão frias, classificáveis, tão sintáticas, tão morfológicas.
pê a éle a vê érre a ésse.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Inspiração (?)
Estive há pouco me cobrando. Exigindo de mim mesma mais empenho nesta prática que tanto me agrada: escrever.
Nisso me perguntei se o que me faltava era assunto, vontade ou inspiração.
Sobre os dois primeiros questinamentos cheguei às seguintes conclusões:
1º- Assunto não me falta mesmo! Tendo nesses últimos tempos me submetido a tantas reviravoltas racionais e emocionais, como poderia faltar assunto? Tanta coisa acontecendo neste mundo: a gripe, as aulas adiadas, o nosso senado explodindo... Por mais que eu tenha algo a declarar sobre diversos temas, nada me parece interessante. Não passam de notícias que reaparecerão na reportagem de retrospectiva 2009 do dia 31 de dezembro. Enfim, não é justo que eu deixe de escrever por falta de assunto!
2º- Vontade! É essencial ter vontade para criar qualquer coisa minimamente bem feita. Estava me sentindo um tanto quanto desmotivada e até mesmo desanimada, e no fundo, triste por me achar incapaz de produzir qualquer coisa. Tive um estalo! Se estou reclamando por estar há um tempinho sem escrever, já é sinal de que a vontade existe! E, então, constatei que eu tenho mais do que vontade, tenho necessidade... E que, certamente, por isso, estou aqui a digitar essas coisas pouco construtivas, mas que com toda certeza me aliviam e me livram da agonia de ficar parada.
Inspiração é a palavra chave deste post (não por acaso está no título). Duvidei de que algum dia tenha tido inspiração... Imaginei que todas as minhas postagens tinham um motivo pouco inspirado e sim programado. Mas, afinal, o que é inspiração? Não sei como definí-la, mas sempre relacionei com ideia repentina que alguém tem em um determinado momento "abençoado". Raramente me sinto assim! Geralmente tenho algo vago e desorganizado em mente e faço um grande esforço para colocar as ideias em ordem, no que eu gasto algum tempo... Mas o que me consome mesmo é a leitura que faço das minhas próprias escrituras, nunca estou satisfeita e em algum momento de irritação desisto e posto como está! Às vezes tenho medo de modificar algo que na sua origem foi essencial, daí prefiro deixar como está, mas isso não significa que eu tenha achado bom...
Não pretendo ficar me avaliando aqui, isso poderia tirar algum brilho que possivelmente existe nos textos anteriores. O que importa de verdade é que, apesar dos pesares, está pronta mais uma postagem, esta é mais comum que as outras. - Talvez tenha sido a menos comum de todas pela estranhesa das outras - . (Nesses tempos tem sido presunção achar que é diferente dos outros, porque está na moda ser "estranho"... Eu, sinceramente, não escolho ser mais um igual tentando ser diferente).
Nisso me perguntei se o que me faltava era assunto, vontade ou inspiração.
Sobre os dois primeiros questinamentos cheguei às seguintes conclusões:
1º- Assunto não me falta mesmo! Tendo nesses últimos tempos me submetido a tantas reviravoltas racionais e emocionais, como poderia faltar assunto? Tanta coisa acontecendo neste mundo: a gripe, as aulas adiadas, o nosso senado explodindo... Por mais que eu tenha algo a declarar sobre diversos temas, nada me parece interessante. Não passam de notícias que reaparecerão na reportagem de retrospectiva 2009 do dia 31 de dezembro. Enfim, não é justo que eu deixe de escrever por falta de assunto!
2º- Vontade! É essencial ter vontade para criar qualquer coisa minimamente bem feita. Estava me sentindo um tanto quanto desmotivada e até mesmo desanimada, e no fundo, triste por me achar incapaz de produzir qualquer coisa. Tive um estalo! Se estou reclamando por estar há um tempinho sem escrever, já é sinal de que a vontade existe! E, então, constatei que eu tenho mais do que vontade, tenho necessidade... E que, certamente, por isso, estou aqui a digitar essas coisas pouco construtivas, mas que com toda certeza me aliviam e me livram da agonia de ficar parada.
Inspiração é a palavra chave deste post (não por acaso está no título). Duvidei de que algum dia tenha tido inspiração... Imaginei que todas as minhas postagens tinham um motivo pouco inspirado e sim programado. Mas, afinal, o que é inspiração? Não sei como definí-la, mas sempre relacionei com ideia repentina que alguém tem em um determinado momento "abençoado". Raramente me sinto assim! Geralmente tenho algo vago e desorganizado em mente e faço um grande esforço para colocar as ideias em ordem, no que eu gasto algum tempo... Mas o que me consome mesmo é a leitura que faço das minhas próprias escrituras, nunca estou satisfeita e em algum momento de irritação desisto e posto como está! Às vezes tenho medo de modificar algo que na sua origem foi essencial, daí prefiro deixar como está, mas isso não significa que eu tenha achado bom...
Não pretendo ficar me avaliando aqui, isso poderia tirar algum brilho que possivelmente existe nos textos anteriores. O que importa de verdade é que, apesar dos pesares, está pronta mais uma postagem, esta é mais comum que as outras. - Talvez tenha sido a menos comum de todas pela estranhesa das outras - . (Nesses tempos tem sido presunção achar que é diferente dos outros, porque está na moda ser "estranho"... Eu, sinceramente, não escolho ser mais um igual tentando ser diferente).
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Eu presa na armadura
Tendo por ti massacrado a mim, esquecerei de tuas lamúrias que mantém externadas com tanta facilidade usando minha boca para cuspir e meus ouvidos como cuspidouro.
Sai de mim, cruel mentira que por inocência assumi e fiz com que parecesse verdade natural.
Tolos os que nisso acreditaram, tola eu, que dei crédito às aparências! Forjadas aparências aparecidas sem peneira, esclarecidas sem a luz que só pode haver na verdade... A luz está escondida, e você, este eu medíocre mergulhado em covardia, a escondeu.
O fizeste por medo, medo sim, porque certezas havia na derrota e lutar sem armadura é arriscado.
Estou presa na armadura que vesti para me proteger não sei bem do quê. Não quero me manter trancafiada em ti, malvado escudo, malicioso elmo, entorpe lança... Em vós depostei meu eu e talvez nunca me possa libertar, talvez eu tenha morrido sufocada nesta fortaleza, nesta barreira que tu, capa "protetora", criaste em torno de mim... Eu, eu que nem frágil pude ser.
Sai de mim, cruel mentira que por inocência assumi e fiz com que parecesse verdade natural.
Tolos os que nisso acreditaram, tola eu, que dei crédito às aparências! Forjadas aparências aparecidas sem peneira, esclarecidas sem a luz que só pode haver na verdade... A luz está escondida, e você, este eu medíocre mergulhado em covardia, a escondeu.
O fizeste por medo, medo sim, porque certezas havia na derrota e lutar sem armadura é arriscado.
Estou presa na armadura que vesti para me proteger não sei bem do quê. Não quero me manter trancafiada em ti, malvado escudo, malicioso elmo, entorpe lança... Em vós depostei meu eu e talvez nunca me possa libertar, talvez eu tenha morrido sufocada nesta fortaleza, nesta barreira que tu, capa "protetora", criaste em torno de mim... Eu, eu que nem frágil pude ser.
sábado, 1 de agosto de 2009
A confusa voz da experiência
Queria pensar como um velho para poder entender seus conselhos que, apesar de sábios, não demonstram sentido convincente o suficiente para serem seguidos pelos jovens imaturos. Estes que apostam nas certezas tortuosas da juventude todas as fichas de seu futuro e, mais tarde, - se houver tempo - entenderão que certos impulsos deveriam ter sido seguidos ou não.
Mas não há como prevenir-se de ciladas, pois "quem acredita nos velhos caducos que apenas querem dar razão para seus últimos instantes de uma vida abarrotada de arrependimentos?"...
Pelo mesmo motivo que refere aos experientes confiança, também há de desconfiar dos seus palpites... afinal, eles erraram bastante, não é mesmo? E pretendem, talvez como missão final, consertar seus equívocos tentando livrar os mais moços de decepções - fatídicas -.
Pensando nisso me veio à mente uma música de uma banda que eu adoro. Com certeza a letra é apropriadíssima.
O velho e o moço - Los Hermanos
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
Ahh, tanto faz
E o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu quem será?
Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.
Sei do escândalo e eles têm razão
Quando vem dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo
E se eu for o primeiro?
A prever e poder desistir
do que for dar errado
Ahhh
olha, se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão
Ahhh, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir.
Mas não há como prevenir-se de ciladas, pois "quem acredita nos velhos caducos que apenas querem dar razão para seus últimos instantes de uma vida abarrotada de arrependimentos?"...
Pelo mesmo motivo que refere aos experientes confiança, também há de desconfiar dos seus palpites... afinal, eles erraram bastante, não é mesmo? E pretendem, talvez como missão final, consertar seus equívocos tentando livrar os mais moços de decepções - fatídicas -.
Pensando nisso me veio à mente uma música de uma banda que eu adoro. Com certeza a letra é apropriadíssima.
O velho e o moço - Los Hermanos
Composição: Rodrigo Amarante
Deixo tudo assimNão me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
Ahh, tanto faz
E o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu quem será?
Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.
Sei do escândalo e eles têm razão
Quando vem dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo
E se eu for o primeiro?
A prever e poder desistir
do que for dar errado
Ahhh
olha, se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão
Ahhh, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir.
Assinar:
Postagens (Atom)