sexta-feira, 9 de abril de 2010

Abstração mental e felina

Hoje à tarde assisti a um capítulo da série "O Átomo", na TV Escola. Estranhamente um assunto que não permeia minha lista de interesses me manteve de olhos bem abertos na frente da tela da TV. O programa tratou de temas como eletrodinâmica quântica, Teoria do Tudo (da qual pretendo falar um dia), partículas virtuais, antimatéria, Teoria das Cordas, da gravidade quântica... até chegar no confuso problema da medida e no paradoxo da experiência do gato de Scherödinger.

Inundada de informações complexas e animadoras, resolvi "descansar" a mente ouvindo música. Escolhi o álbum "Dark side of the moon", da banda Pink Floyd. A faixa "Speak to me" me fez lembrar do livro que andei passando os olhos esses dias: "Alice no país das maravilhas" devido ao verso "run rabbit run" me levar à imagem do coelho atrasado em torno de Alice. [Sei que seria mais natural lembrar de "O mágico de Oz"]. Creio que o clima da música também me ligou ao magnetismo misterioso e atraente dos olhos do gato que conversa com Alice durante a deliciosa narrativa.

Por falar no gato, perguntei-me porque ele não para de rir e porque quando ele some o sorriso fica. Fui pesquisar sobre o tal gato de Chershire e adivinha em que assunto eu fui parar? Mecânica quântica!

Alguns sites fazem relações matemáticas lógicas com a metáfora que o gato poderia representar. Outros sites contam lendas sobre a cidade natal do autor de "Alice no país das maravilhas". Também há que faça alusão às fases da luapara explicar o sorriso do gato. Mas o que isso tem a ver com Mecânica quântica? Nada até eu me surpreender com uma explicação um tanto quanto utópica, mas indiscutivelmente interessante: a abstração chegara a tal ponto que concluíram que o que o gato de Alice representa, especialmente no momento de seu desaparecimento, o mesmo que Schrödinger queria explicar na sua experiência mental que resulta da reflexão científica acerca do Princípio da incerteza e do Problema da medida, tudo que tira - em partes - a credibilidade do estudo da Física quântica.

Ambos os gatos (tanto o de Alice, como o de Schrödinger) existem e não existem ao mesmo tempo e da mesma maneira. Ambos são resultados da "anulação" momentânea do negativo pelo positivo e vice-versa.
Na experiência mental de Schrödinger, um gato é colocado vivo numa caixa de aço - com um chamado "mecanismo infernal" - onde um motor é acionado e libera uma substância radioativa cujo o mínimo número de átomos presentes pode ou não decair e nesse micro-instante o gato se encontrará vivo e morto.

Esse paradoxo é uma viagem e tanto, que nos faz tentar imaginar uma mistura irreal (talvez irreal) de estados simultâneos impossíveis, como o de ser e não-ser.

Longe de mim a pretenção de abordar temas que preenchem as discussões mais recentes, inacabadas, polêmicas e complexas da Ciência moderna. Essa junção de Filosofia Univérsica, Física quântica e até uma pitada de esoterismo me intriga e enlouquece, mas é uma maravilha!

8 comentários:

mari. disse...

Alice ter a ver com mecânica faz sentido, já que o Carroll era matemático. Se não me engano, ele chegou a dar aulas em uma universidade inglesa, junto com o pai da Alice real.
Abraço.

giselly disse...

Seu post me fez lembrar que eu to doida pra ver 'Alice' no cinema e que a vida é tão complexa que as palavras são simples demais para serem usadas para explicá-la... Incrível esse texto Bárbara *-*

yasmin zogbi disse...

a cada dia que passa me torno uma completa admiradora de suas palavras e idéias, cada estrofe e verso escrito é um entusiasmo e um sorriso que eu esboço. Só tenho a parabenizar voce amiga, e pode ter certeza que fiel admiradora eu ja sou ;)

Felipe Braga disse...

Interessante.
É intrigante a parte da ciência que visa as diversas possibilidades que gravitam em torno de um ser, ou de alguma coisa.
Acho que está muito ligado também à metafísica. Um pouco de ceticismo. Me perco na filosofia.
Foi um prazer inexprimível ler teu texto, Bárbara. Como sempre.

Beijos.

Sylvia Araujo disse...

Depois de ler você vou ser obrigada a pesquisar mais sobre Schrödinger e sua experiência do gato. Fico intrigada e deslumbrada com assuntos científicos polêmicos. Que coisa! rs

Beijoca, menina. Ótimo seu canto.

Luiza disse...

Que complexidade! Me interesso muito por essa parte da física. Talvez seja a única que eu goste. Adoro os mistérios da física quântica e o quanto eles me permitem filosofar e criar.

Grafite disse...

adorei o blog.

seguindo,
beiijo
*.*

thaic. disse...

fundiu minha mente. e eu que gostava tanto do (cruel) chesire, quando for finalmente vê-lo no cinema vejo que vou gostar menos dele - nada com whatever quântica me deixaria sorridente. haha.
beijo, beijo.