terça-feira, 12 de março de 2013

De volta às voltas

Sempre concordei com todos que dizem que mudar é bom. A mudança seria a premissa da evolução. Todo desenvolvimento se dá através das sucessivas transformações pelas quais nos submetemos (por escolha própria ou não).
Ser constantemente o mesmo, com as mesmas certezas sobre tudo, com as mesmas concepções de mundo, com os mesmos princípios invioláveis e inquestionáveis é ser uma mula empacada, que não sai do lugar, não anda pra frente.
Mudar é importante para se conhecer e saber do que somos capazes pelos nossos objetivos. Também pode ser bom trocar de objetivos, mesmo que isso não agrade aos medrosos e conservadores de um "caráter íntegro". Tá bom...
Às vezes eu tenho muito medo de esquecer como eu era no passado, tenho pavor de me perder de mim mesma e abandonar toda uma trajetória. Não tenho mais vergonha de assumir que penso sim que o que somos hoje é resultado do acúmulo de tudo que fomos, ainda somos e também do que deixamos de ser.
Mas é que eu mudo tanto que não reconheço a mim mesma de pouco tempo atrás. Mudo comigo, mudo o que penso sobre os outros. Pode ser que amanhã eu tenha certeza de que não mudo nada e que eu tava viajando quando escrevi isso.
Essa vida de ter 20 anos e achar que sabemos alguma coisa.
Essa vida de ter 20 anos e achar que achamos que sabemos alguma coisa sem saber de nada.



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Eternas conexões

Quando se cria uma história com alguém, o que há de comum entre essas duas pessoas são as lembranças do que passaram juntas. Os laços da memória semelhante são conexões indissociáveis. Desconectar essas pessoas é impossível, como uma tentativa de apagar o passado (fazer "desacontecer" o que aconteceu).
A vida que viveram compartilhadamente já foi viviva, não dá para desfazê-la. Já era.
Destinos cruzados. Irretornável. Mesmo que as possibilidades menos prováveis se tornem reais e cada um tome seu rumo sem jamais se reencontrar, o que aconteceu, ficou. Não deixou de ter existido porque acabou.
As pessoas tem laços mentais - e às vezes afetivos - eternos. Pois possuem dentro de si sensações que só existem devido a sua própria natureza de ser iguais para as duas pessoas. Nenhuma das lembranças existiria se não fosse o compartilhamento de momentos únicos que acarretam memórias mútuas e eternas.
O nosso passado em comum não morre nem para mim e nem para você. Mesmo se desejássemos, ele não morreria. A vida é assim, não nos dá essa possibilidade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Passou

Às vezes me sinto leve e sutilmente feliz. Mas aí eu vejo que você esqueceu de me chamar pra tal social com aquelas pessoas que eram nossas conhecidas antes de você considerá-las as pessoas mais interessantes do mundo. Eu e você nos identificávamos um no outro. Era bom, era muito bonito ouvir dizer que também sentia o que eu sentia. Faz algum tempo que não conversamos, que não batemos aquele papo cabeça que nos fazia perceber que não estávamos sós com as nossas sensações e questões existenciais mais malucas.
Agora chego a me perguntar porque fui deslocada do topo de suas prioridades para o posto de mais uma em meio ao grupo super cool formamos. Formamos? Talvez eu não devesse ter usado a primeira pessoa do plural esse tempo todo.
Tô tão singular, sabia? Era legal ser parte de um par. Mas um par se faz em dupla, e eu não sou duas.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Minha melhor companhia

Já quis ser atleta,
já quis ser artista,
e quem nunca quis?

Não sei se sou poeta,
quem sabe jornalista,
não sei se sou feliz.

Sou minha melhor amiga,
e cantando essa cantiga
posso escutar o que a solidão me diz.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Procura-se

Procuro por alguém que
procure por alguém.
Procuro por alguém que
procure por alguém como eu.
Procuro por alguém que
procure por alguém como eu procuro por alguém.

sábado, 7 de julho de 2012

Auto boicote

Estar sozinha aqui e agora não significa que eu seja solitária, embora eu me sinta assim quase sempre.
Eu vou tentar entender qualquer decisão sua. Entre te ter e não te ter, prefiro que sejamos amigos. Não sei, posso demorar a me acostumar com isso, mas é bem possível que funcione. Porque não tentamos?! O que não funcionaria é a gente tentar um relacionamento sério, rotulado. Nós provavelmente cometeríamos os mesmos erros dos tantos relacionamentos passados. Eu ia te procurar, querer estar junto e saber de você. Você ia enjoar e não me responder. Eu ia chorar e você nem se mexer. Por fim, eu desistiria e ficaria sofrendo um desamor eterno até que retornasse em outro. Que ciclo filho da puta. Mas quem tá na chuva é pra se molhar.
Mas sabia que poderia ser tudo diferente? Você e eu poderíamos ser maravilhosos juntos. Ao invés de nos prendermos poderíamos nos libertar. Amar tem que fazer bem, poxa. A gente podia ser justo e compreensivo. Respeitar o espaço do outro, enxergar a nós mesmos como como seres únicos e inteiros, não como metades que se completam, mas sim unidades que se somam, multiplicam.
A gente não precisaria ser um casal. Ou seja lá o que isso for. Poderíamos ser um o carinho do outro.
Só.
Olha eu forçando a barra para me fazer acreditar em mim.
Pífio.
Acho que gostar de alguém é isso: sempre ver uma luz no fim do túnel.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Não

É, não dá para disputar com as tuas lembranças e teu sentimento mais forte. Eu sei como é, talvez não saiba bem, mas faço ideia e posso imaginar a intensidade da marca dela em você.
Ela é tão linda. Você poderia ser mais lindo se quisesse, mas você é aquele tipinho que não pode se render às meras aparências. Por isso não gosta de aparecer.
Você se esconde muito. Se esconde de coisas que nem sei. Não quer que alguém te julgue mal e te esqueça completamente? Não quer correr o risco de perder a chance da reaproximação afetiva quando tiver a aproximação geográfica? Acho que eu faria o mesmo... Não te julgo não. Acho bonito até.
Boa sorte. Cuide-se bem... Mas descuida de mim logo porque eu não vou conseguir te largar sozinha.

sábado, 2 de junho de 2012

Espinhas e rugas

Um banho morno
Uma toalha macia
Um espelho me olha,
eu o encaro.

Eu não me vejo.

Em defesa da liberdade,
faça o que tiver vontade.

As marcas da juventude são intensas
Sobretudo na pele do rosto.
Saltando, explodindo
De dúvidas,
conflitos,
e pus.

Mais tarde as marcas serão do uso,
do tempo,
da gravidade,
da idade.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Paes, eu quero paz...

O prefeito já esteve em cinco partidos políticos "diferentes" - destaques para as aspas - PV, PFL, PTB, PSDB e, agora, PMDB. É muito salto de galho em galho. Hoje, o PMDB - do governador e do prefeito - é aliança do PT, presidente do país. Uma breve reflexão...

– Como mudaste de ideia, Manolo!
– Não, não, Pepe, não.
– Claro que sim, Manolo. Tu eras monarquista. Te tornaste falangista. Logo foste franquista. Depois, democrata. Até pouco tempo estavas com os socialistas e agora com os direitistas. E dizes que não mudaste de ideia?
– Não, Pepe. Minha ideia foi sempre a mesma: eu sempre quis ser o prefeito desta cidade.

[Eduardo Galeano, "De pernas pro ar - a escola do mundo ao avesso", L&PM, 1999]