sábado, 24 de abril de 2010

Mimo

Eu nem preciso de um motivo. Qualquer coisa me aflige, qualquer resposta curta - ou somente o silêncio - já me faz sentir um aperto forte no peito, uma tristeza boba...
Acho que me acostumei mal, é mimo, vontade de ser o centro do mundo. Não suportar alguns minutos sem uma pergunta simples, ou um comentário inútil sobre qualquer coisa, faz com que eu me sinta tão mal, esquecida, abandonada, perdida e - muito pior do que isso - inconveniente.
Eu não deveria ficar sempre em cima, perguntando coisas que não me interessam e que talvez nem queiram me contar. Atrapalho o ócio sem saber, destruo calmarias sem perceber. Gostaria mesmo de poder deduzir se devo falar ou não. É tão difícil controlar o impulso das minhas palavras... Deveria haver um filtro entre minha mente e minha boca (ou meus dedos).
É, eu estava mentindo quando disse "tudo bem", mas não foi por mal... foi só para não preocupar, sei lá. Mas já estou eu novamente sendo pretenciosa! Quem garante que se eu disser a verdade sobre meu estado de espírito vou preocupar alguém? Que mal tem em maltratar somente a mim mesma?! A conclusão que eu chego é que ninguém precisa saber como eu realmente me sinto quando perguntam se está tudo bem, sempre vai estar.
Isso tudo não significa que eu não me importo com as respostas que me dão quando sou eu quem dirige essa pergunta. Quando eu não quero saber, eu simplesmente não pergunto... Isso não é indelicado, é só para fugir da responsta (sendo ela verdadeira ou falsa) e das consequências dela.
Escrever é um bom remédio para diminuir esse engasgo momentâneo causado por nada. Nada é bem pior que muitas coisas... Nada é só o nada... Tão vazio, soa como desprezo. Melhor não me ater a essas reflexões... As promessas do hoje não precisam ser cumpridas conforme a minha vontade, não é uma questão de escolha. As coisas só acontecem, às vezes eu penso em formas de fazê-las desacontecerem, mas ainda não descobri como.

3 comentários:

Bárbara Reis disse...

Caraca,como me identifico com seus textos!

Felipe Braga disse...

Bárbara, o silêncio pode dizer muitas coisas.
Assim como uma pergunta, às vezes, não quer dizer nada.
Incrível, tuas linhas sempre cabem em mim, de alguma forma.

Caraca,como me identifico com seus textos! [2]
Beijos.

Manoela Nunes disse...

Adorei seu texto! Peguei seu blog na comunidade "Escritores. Estamos em casa."

Estarei te seguindo com certeza. Beijo grande flor