domingo, 27 de junho de 2010

Navalha afiada

Não deveria ser, para mim, época de nostalgia. Não deveria encontrar no novo sensações de querer voltar. Não deveria querer mudar, eu não me programei para reparos.
Não me programei para desculpinhas bobas ou jantares de perdão e relações íntimas obrigatórias. Nem mesmo o faria.
Não prometi ser eu mesma para ninguém além de mim. Não, eu não menti, não traí nem forjei.
Nunca simulei algo que não estivesse acontecendo de verdade. Não derramei lágrimas de crocodilo, nem sorri para disfarçar.
Só sonhei, vivi e não alcancei metade do pouco que desejei.
Encontrei da pior maneira possível a verdade sobre as pessoas e o que elas são capazes de fazer para satisfazer o próprio ego. Chorei quando me dei conta que fora do amor sou uma delas. Sim, fora do amor... Porque dentro do amor ninguém se é de verdade, a gente é o outro, ao contrário do que dizem, não só pela metade. A gente é inteiro, e pode doer. Mas pode ser doce, o ruim é que nunca podemos escolher.

2 comentários:

Nívea disse...

O tempo é para ser vivido, sem mania de lamentações ou planejamentos descabidos.


Sim, no amor somos do outro. doação pura e simples de quem se é. Inteiramente. E isso é feliz.

Fora do amor, afogo-me.


Beijos, saudades de passar por aqui.

Polli disse...

eu amei esse texto. amei.